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equação do metaverso

O que a Gartner tem a dizer sobre o Metaverso?

Em um webinário no dia 28 de Fevereiro de 2022 a agência Gartner compartilhou suas apostas para o metaverso. Você pode clicar aqui e assistir na íntegra, ou ler esse artigo com os principais insights.

Premissas da Gartner:

  1. Só tem um metaverso
  2. Nenhuma Big Tech tem os recursos e a tecnologia para criar o metaverso sozinha
  3. O Metaverso é um upgrade ou uma continuidade ao próximo capítulo da internet
  4. Metaverso e realidade virtual (RV) não são a mesma coisa, você pode imaginar o metaverso como sendo um ecossistema e a RV como uma forma de interagir com esse ecossistema.

O metaverso ainda não existe em 2022, o que existem hoje são plataformas precursoras do Metaverso. Os avanços de tecnologias e tendências independentes estão convergindo para formar uma grande tendência maior. 

Essa tendência maior é simplesmente o metaverso.

Existe uma equação do metaverso, segundo a Gartner

Assim como a Gartner, a JP Morgan, a Bloomberg e a Round Hill Investments, diversas organizações estão investindo recursos em inteligência para encontrar uma definição do metaverso e como ele se encaixa em suas estratégias de negícios.

A Gartner propõe uma equação com 3 objetivos e alguns atributos que serão apresentados e expandidos aqui neste artigo.

O importante é notar que pela primeira vez na história essa equação pode funcionar por conta da convergência de várias tecnologias que já estão prontas. Importantes variáveis dessa equação só estão disponíveis a janela temporal atual e isso explica porque experimentos no estilo “Second Life” não funcionaram.

Quando convergem câmeras, celulares e banda de dados suficiente, abre-se uma janela para a criação de plataformas sociais de vídeo como o Youtube. Quando convergem GPS, google maps e gateways de pagamento, abre-se uma janela para o surgimento do Uber. 

Hoje temos uma imensa gama de tecnologias interessantes convergindo para o surgimento de algumas características necessárias para a equação do metaverso funcionar. Chamaremos essas características de “Atributos do Metaverso”.

Atributos do Metaverso

  1. Experiência interativa e síncrona – O metaverso pode se diferenciar da internet por oferecer experiências síncronas de maior qualidade para os participantes. Para a indústria de shows e entretenimento isso significa eventos com milhares de participantes a um custo infinitamente menor. A intensidade das interações tem casos de usos nunca vistos antes em áreas como educação, produtividade de equipes e saúde.
  1.  Economia dos criadores – Conteúdo criado pelos próprios usuários, assim como os vídeos do Youtube ou as postagens no instagram. Enquanto a maior parte dos conteúdos do metaverso hoje é criada por empresas, nos próximos estágios, as experiências, os ativos digitais e até partes das plataformas serão criadas peer-to-peer por outros usuários.
  1. Protocolos de comunicação interoperáveis – Esse é um atributo que permite usuários deslocarem seus avatares, seus bens digitais e criptomoedas de uma plataforma à outra. Esse tipo de tecnologia ainda está emergindo já que os desafios passam por uma remodelagem de modelo de negócios e perda de participação de mercado das Big Techs.
  1. Ambiente digital imersivo – É gerado através de hardware que alimenta alguns sentidos humanos, sendo possível transportar o usuário para uma realidade diferente da física, uma realidade virtual. A maioria dos óculos de RV de hoje são capazes de gerar imagens e som espacial, estimulando a visão e a audição.
  1. Identidade – Metaverso é o local onde os tímidos deixarão de ser tímidos. As barreiras que afugentam pessoas de interações sociais não haverão mais no metaverso e essa é uma oportunidade de solucionar o problema de inclusividade. Nos mundos virtuais as pessoas serão representadas por avatares customizáveis onde o usuário irá escolher quem ele quer ser. Isso vai abrir debates sobre éticas e moral que não deixarão de acontecer mesmo que o metaverso nunca se materialize.

Outros atributos importantes que não estão na apresentação da Gartner 

  1. Indexado e organizado espacialmente – Assim como as páginas da internet precisam estar indexadas para serem encontradas, os ambientes do metaverso serão organizados
  1. Descentralização – Que não pertence a nenhuma organização. A internet não tem dono, é uma rede sem comando e controle central onde as decisões são tomadas por todos os nódulos da rede. Com a tecnologia do Blockchain, através dos NFTs, já existem muitas oportunidades para a criação de conteúdos descentralizados. 
  1. Conteúdo digital persistente – O metaverso sempre estará “ligado”. Não haverá desligamento para manutenção ou atualização dos servidores. Usuários poderão entrar e sair sem ter que criar uma conta ou salvar sua sessão. Provavelmente irá existir um único fuso horário oficial do  metaverso. No futuro o metaverso persistente será formado por shopping centers imersivos, centro de convenções, estádios de esportes, parques, hospitais e até sedes de empresas que poderão ser visitadas 24h por dia, assim como é a internet de hoje. A experiência persistente é mais parecida com a TV aberta, que continua acontecendo depois de desligada, e diferente da netflix que quando é desligada para de acontecer.
  1. Intercala com o mundo físico em tempo real – Realidade aumentada e mista são as tecnologias utilizadas para ”projetar” imagens no campo de visão do usuário sem a necessidade de uma imersão total e desconexão com o mundo real.

Os 3 grandes objetivos

Esses objetivos precisam ser alcançados para gerar valor na prática em casos de usos

Transporte

Imagem do Horizons Workrooms onde o usuário utiliza um óculos Quest2 e é transportado para uma realidade virtual desconectada com a realidade física.

Levar um ser humano a um ambiente virtual diferente daquele que ele se encontra fisicamente. Ex: Uma pessoa pode estar fisicamente na sua casa mas os seus sentidos estão lhe dizendo que ela está explorando o oceano.

Transformação

Nessa imagem o usuário está utilizando um óculos de Realidade Aumentada que projeta imagens sem se desconectar do mundo físico.

Mudar o mundo real de um ser humano. É baseado em computação espacial. Ex: Mesclar elementos virtuais com elementos físicos no campo de visão do usuário, em tempo real, através de um óculos de realidade aumentada ou mista.

Transação

Essa é a economia do Metaverso onde haverão agentes geradores de demandas (consumidores) e agentes que irão suprir as demandas (empresas ou criadores). Pela primeira vez na história nós temos as ferramentas para uma economia virtual imersiva acontecer. Ex: Blockchain, Crypto Moedas, NFTs, smart contracts, etc…

Os 3 estágios Metaverso segundo a Gartner

A Gartner prevê um horizonte com 3 principais estágios que se sobrepõem no tempo.

Estágio emergente | Já iniciou – Hype

Inspirado na Web 3.0

Um emaranhado de tecnologias e termos novos que estão sendo utilizados isoladamente como modelos de negócios. Ex: Plataformas de jogos, NFTs, crypto, tokenização. O benefício maior será para a organização que está oferecendo a sua solução. Ex: Microsoft Mesh, Facebook Horizons, NVIDIA Omniverse, Roblox, Fortnite. Aqui os modelos de negócios emergem para explorar tecnologias e aplicações nichadas. Alguns casos de usos não irão perdurar com o tempo, especulação e hype são comuns nesse estágio.O total potencial do metaverso como ecossistema não é explorado até o próximo estágio.

Estágio avançado | deve iniciar em 2025 – interoperabilidade

Início dos experimentos de interoperabilidade e grande indexação do mundo físico com a computação espacial.

As características das trocas online vão começar a mudar por conta do aumento de plataformas persistentes e conteúdos espaciais organizados. Muitos protocolos concorrentes irão tentar se consolidar como padrões, a interoperabilidade significa diferentes plataformas se comunicando entre si. Super Apps irão surgir para concentrar fornecedores de soluções.

Fique atento às mudanças comportamentais e :

1 – Como as pessoas interagem com as outras.

2- Como as pessoas interagem com os conteúdos digitais persistentes e espacialmente organizados tanto no mundo físico como no virtual.

3- Como conteúdos digitais interagem com outros conteúdos digitais.

Estágio maduro  | deve iniciar em 2030 – Economia

As experiências interoperáveis e imersivas começam a formar uma nova economia

O metaverso finalmente supera o tamanho de mercado dos early adopters e passa a ser atraente para as grandes massas. Conteúdos descentralizados e organizados espacialmente já são familiares às pessoas. É aqui que uma economia finalmente atinge a massa crítica e pessoas comuns podem até conseguir empregos que só estão disponíveis no metaverso. 

Conclusão:

Toda vez que surge uma nova mídia ou tecnologia as pessoas só aderem quando conseguem tangibilizar alguns benefícios concretos.  A atividade de ler um livro tem por trás a busca de conhecimento ou momentos de entretenimento através de estímulos emocionais causados pelos altos e baixos de uma história bem contada. Se o metaverso servir para ajudar o usuário final na busca do conhecimento e preparação, esse será um objetivo tangível atraente e complementar à atividade de ler livro.

É quase ingenuidade acreditar que daqui a dez anos a internet será exatamente igual a de hoje, o metaverso é esse futuro. A espécie humana se diferenciou dos outros animais pela capacidade de colaborar flexivelmente em grande escala e a internet veio para aumentar as conexões entre as pessoas do planeta. 

No universo hiperconectado de hoje ainda existe a possibilidade de resolvermos ainda mais problemas com o aumento da QUALIDADE das conexões. 

Não perca muito tempo tentando “adivinhar” o futuro. Ao invés disso, identifique as demandas de quem está tentando construir o metaverso e use a criatividade para entregar soluções intermediárias em cada estágio do metaverso de acordo com a evolução de cada uma das variáveis da equação.

Esse artigo foi escrito por Gustavo Carriconde, CEO e idealizador da Gutenberg Ventures, a primeira com tese em startups do metaverso.

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