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Como é um casamento no metaverso? – Link – Estadão

O casamento no metaverso foi um presente dos colegas de trabalho, mas o valor para contratar uma experiência semelhante pode custar alguns milhares de reais

Traci e Dave Gagnon se conheceram na nuvem, então fazia sentido que o casamento deles também acontecesse nesse local. Em um fim de semana de setembro, o casal – ou melhor, seus avatares digitais – teve uma cerimônia organizada pela Virbela, uma empresa que constrói ambientes virtuais para trabalho, aulas e eventos.

O avatar de Traci Gagnon foi acompanhado até o altar por sua melhor amiga. Já o de Dave Gagnon viu os avatares de seus amigos caminharem até o palco e fazerem brindes em homenagem aos noivos. E dois avatares gêmeos de 7 anos, que espalharam as pétalas de rosas e levaram as alianças, dançaram na recepção.

Como o mundo virtual imersivo conhecido como metaverso, que poucos de nós entende, mudará as tradicionais cerimônias de casamento, no momento, ninguém sabe. Mas as possibilidades de ter um evento sem as restrições da realidade são interessantes o suficiente para considerar a ideia.

Devido à pandemia de covid-19, a tecnologia já está sendo incorporada às cerimônias mais do que nunca. Os casamentos por Zoom aconteceram e algumas cerimônias presenciais agora contam com a transmissão ao vivo para os convidados que não podem estar presentes. No ano passado, um casal cujo casamento foi cancelado por causa da pandemia realizou uma cerimônia (sem valor legal) dentro do Animal Crossing, um famoso videogame.

Assim como uma cerimônia dentro de um videogame, qualquer casamento que aconteça apenas no metaverso, atualmente, não tem valor legal. (Até mesmo os casamentos virtuais por videoconferência, que muitos estados permitiram durante o auge das paralisações causadas pela pandemia, deixaram de ser aceitas no estado de Nova York e em outros lugares.) Mesmo assim, o metaverso levará essas celebrações virtuais para um nível ainda maior, dizem os especialistas, e oferecerá possibilidades quase ilimitadas aos casais.

“Não há limitações”, disse Sandy Hammer, fundadora da Allseated, que desenvolve ferramentas de planejamento digital para casamentos. A empresa está investindo no metaverso, criando versões virtuais de espaços para eventos do mundo real, como o Plaza Hotel em Nova York. “Se você realmente quer fazer algo diferente, no metaverso talvez você possa deixar sua criatividade correr solta também.”

Pense em listas de convidados com milhares de pessoas. Lista de presentes que contam com tokens não fungíveis (NFTs). Talvez até mesmo o espaço sideral como lugar da cerimônia.

“Eles vão levar seus amigos em um foguete espacial”, disse Sandy, acrescentando que ela prevê festas de casamento viajando pelo mundo virtualmente. “Uma noiva pode transportar seus convidados para o metaverso: ‘Quero que a parte da manhã aconteça na Itália e a parte da tarde, em Paris.’”

Nathalie Cadet-James, planejadora de casamentos e designer que vive em Miami, está vendo o metaverso com “a cabeça de uma iniciante e entusiasmada” e tentando antecipar como seu trabalho mudará. “Acho que meu papel talvez seja mais como o de um produtor ou diretor de cinema”, disse Nathalie. “Eu poderia criar um cenário que eu aprimorei. As flores talvez surgissem no chão à medida que você caminha pelo espaço. Eu adicionaria capricho e fantasia a isso – porque seria possível.”

Claro, isso exigiria os talentos de um engenheiro de software, uma função que não está em qualquer orçamento de casamento tradicional no momento.

Os Gagnons tiveram uma espécie de casamento híbrido. Os dois se casaram no mundo real no dia 4 de setembro, no Atkinson Resort & Country Club, em New Hampshire, onde vivem, em uma cerimônia oficializada por David Oleary, um amigo e colega deles ordenado pela igreja Universal Life, ao mesmo tempo em que realizavam uma cerimônia virtual pela Virbela.

Eles transmitiram ao vivo a cerimônia para aqueles que não podiam estar lá pessoalmente. Os convidados da cerimônia virtual compareceram por computador, o que exigiu que eles baixassem o software e, depois, criassem um avatar.

Tanto Traci Gagnon, 52 anos, quanto seu marido, 60 anos, trabalham como corretores na eXp Realty. A imobiliária digital abraçou o trabalho virtual e o metaverso e faz parte da eXp World Holdings, que também é dona da Virbela.

Antes de o casal se conhecer pessoalmente, seus avatares se viram pela primeira vez em um evento da empresa em Las Vegas, em 2015. E quando eles anunciaram seu noivado em 2019, seus colegas de trabalho se ofereceram para transformar o espaço na nuvem de Virbela em um local para o casamento acontecer, gratuitamente. (Traci Gagnon estimou que isso teria custado US$ 30 mil se eles tivessem pago pelo espaço; representantes da Virbela se recusaram a divulgar o preço do evento.)

Os Gagnons enviaram fotos de si mesmos e de sua decoração de casamento para a equipe de eventos e engenheiros de software da Virbela, que incluíram detalhes personalizados, como estrelícias e imagens da cerimônia no mundo real na cerimônia virtual.

“Eles conseguiram ver meu vestido de noiva e personalizá-lo, e colocaram uma pequena grinalda de flores no meu cabelo”, disse Traci Gagnon.

Patrick Perry, diretor de vendas de eventos e parcerias da Virbela, disse que o custo de realizar um evento no metaverso “depende do que você quer”, acrescentando, “se há um engenheiro construindo um salão de baile da MGM ou algo desse tipo, então o valor aumenta”, variando de alguns milhares de dólares para muito mais de US$ 10 mil.

Mas, segundo Perry, conforme o metaverso for construído, “haverá mais recursos automáticos”. Os casais de noivos poderão escolher entre locais pré-projetados, flores, arranjos de mesa, vestidos, entretenimento musical e outros elementos.

A Virbela foi projetada para ser uma plataforma de imersão para receber eventos e construir um senso de comunidade no metaverso. Mas os usuários pediram à empresa para organizar formaturas, bar mitzvahs, casamentos e outras comemorações. Recentemente, disse Perry, a Virbela começou a explorar o mercado de casamentos e está na fase de planejamento com alguns casais.

Sandy disse que a Allseated ainda não prestou serviço para um casal interessado em realizar um casamento apenas no metaverso. Além da falta de valor legal de uma cerimônia virtual, um evento híbrido como o dos Gagnons é “muito mais procurado e prático”, disse ela, “porque os casais querem tanto experiências presenciais como virtuais”.

Para Traci Gagnon, que contratou dois cinegrafistas, um para filmar o evento presencial e outro para transmitir simultaneamente a cerimônia para a nuvem, o principal objetivo do elemento do metaverso era a conexão que ele oferecia.

A dama de honra dela, que está doente, conseguiu levá-la até o altar, mesmo virtualmente. E o amigo de Dave Gagnon, que não pôde comparecer à cerimônia presencial porque sua esposa tem problemas de saúde, pode fazer um brinde em homenagem aos noivos. A sensação de se movimentar por um mundo virtual como um avatar – uma espécie de versão idealizada de você mesmo – cria uma experiência mais imersiva e emocionalmente satisfatória do que o Zoom, disse Traci Gagnon.

“Há um nível diferente de conexão” com o metaverso, disse ela. Mas ser uma noiva no metaverso também oferecia outros benefícios. “Sempre visto 38, mesmo em janeiro”, disse ela, rindo. “E meu cabelo sempre está lindo”./TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

 

Fonte da notícia : https://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,como-e-um-casamento-no-metaverso,70003940818

Data da publicação : 2022-01-04 05:18:01

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